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31/07/2015 s 16:33 por Notcias
Parque em GO abriga um dos maiores complexos de cavernas da Amrica Latina
Parque em GO abriga um dos maiores complexos de cavernas da Amrica Latina
crditos: site: www.viagem.uol.com.br/

Parque em GO abriga um dos maiores complexos de cavernas da Amrica Latina

A 485 km de Braslia, o municpio goiano de So Domingos a principal porta de entrada para o Parque Estadual de Terra Ronca (PETeR), uma rea de 57 mil hectares, considerada uma dos maiores concentraes de cavernas da Amrica Latina e um dos destinos deste tipo mais respeitados do planeta. 

A rea protegida, com corredores subterrneos formados h 600 milhes de anos, abriga 200 cavernas secas e outras 60 molhadas, cujo acesso exige cruzar rios interiores que rasgam a escurido.

Dentro do parque, apenas 17 grutas esto abertas para visitao. E isso j suficiente para vivenciar uma das experincias cnicas mais impactantes do Brasil. S para ter a dimenso, o PETeR abriga sete das 30 maiores cavernas do Pas, com extenses que ultrapassam mais de 14km de canais interligados.
 
A formao rochosa que d nome ao parque est a 50 km de So Domingos e tem nmeros grandiosos. Sua entrada, uma das maiores bocas naturais de caverna no Brasil, tem 96m de altura - o mesmo que um prdio de 36 andares - e 120m de largura - equivalente ao comprimento de um campo de futebol. 
 
O local acessado por uma trilha breve, com rochas de calcrio e rvores tpicas do Cerrado, como gameleiras. Cortada pelo Rio da Lapa, cuja transposio obrigatria em alguns trechos, a caverna de Terra Ronca abriga sales iluminados naturalmente e outros mais profundos, que exigem o uso de luz artificial.
 
A 8 km dali, a caverna So Bernardo 2 faz o nvel da adrenalina subir. Com 2km de extenso e dona de um dos cenrios mais impactantes de um complexo de trs grutas, o local tem boca de 40m de dimetro com acesso por uma dolina, como so chamadas as depresses formadas pela infiltrao de gua ou pelo desmoronamento do teto de uma caverna. 
Eduardo Vessoni/UOL
Vista do 'Salo dos Espelhos', ambiente de teto baixo da caverna Lapa da Anglica
 
Passada a etapa da descida ngreme a 45 at o interior da So Bernardo, o visitante ainda precisa cruzar um rio pouco convidativo (tanto por sua velocidade quanto pela baixa temperatura), caminhar com gua at a cintura e se equilibrar entre rochas para atravessar reas mais perigosas. Tudo isso sob total escurido: a nica luz vem do capacete de cada um dos visitantes. 
 
Os destaques dali so o encontro das guas dos rios So Bernardo e Palmeira, dentro da prpria caverna, e o Salo de Prolas, onde repousa uma espcie de ninho de pedras brancas arredondadas, que do nome ao local.
 
J a Lapa da Anglica, com pouco mais de 14km de extenso, a mais extensa de todo o parque e uma das dez maiores do Brasil, segundo o Cadastro Nacional de Cavernas, divulgado pela Sociedade Brasileira de Espeleologia.
 
Ainda que seja uma das atraes de fcil acesso, essa caverna exigente, sobretudo com quem no est acostumado a andar em terrenos escorregadios e de teto baixo. Em certos trechos, necessrio o uso de cordas.
 
A Anglica conhecida pela grande quantidade de sales naturais e cortinas, com estalactites e estalagmites milenares de formas surreais. 
 
Essa e todas as outras cavernas da regio de Terra Ronca ainda so ilustres desconhecidas do viajante brasileiro com alma mais aventureira. Inclusive entre os prprios goianos, que ainda veem o destino como um paraso distante e extico. E olha que Gois est entre os cinco estados com o maior nmero de cavernas do Pas: so 718, para ser mais exato, segundo o Cadastro de Cavernas do Brasil. 
Eduardo Vessoni/UOL
A caverna So Bernardo 2, em Terra Ronca, tem 2km de extenso
 
O guia que tem uma caverna como quintal
Sabe aquele anfitrio que recebe as visitas com caf no bule, bolo assado e que sai logo mostrando os cmodos da casa para o recm-chegado? Na casa de 'seu' Ramiro quase assim. O caf tem, mas em vez do tour residencial ele leva visitantes para dentro daquilo que costuma chamar de sua segunda casa: as cavernas de Terra Ronca.
 
O guia Ramiro Hilrio dos Santos nasceu ali mesmo, em uma casa rural de cho batido, localizada a poucos metros da caverna que d nome regio: a impressionante Terra Ronca. ?A caverna o quintal da minha casa?, conta, orgulhoso. 
 
No seria exagero dizer que Ramiro o prprio homem das cavernas. Foi batizado e se casou dentro de uma, tem no currculo a descoberta de 159 delas (11 com rio e 148 secas) e considerado o primeiro goiano a explor-las. Ele no tem pressa em apresentar cada uma das formaes rochosas e conduz visitantes de acordo com o ritmo dos forasteiros. 
 
Antes das primeiras instrues para a empreitada caverna adentro, Ramiro ajoelha-se diante do altar construdo pelo av Antnio Hilrio dos Santos, o Antoninho da Lapa, e pede proteo para aquela sequncia de imagens religiosas, dispostas bem na porta de sua segunda casa. 
 
ali, diante de uma construo desbotada, que culmina a Romaria do Bom Jesus da Lapa de Terra Ronca, manifestao catlica que enche o local de romeiros entre os dias 5 e 6 de agosto.
 
Durante a visita guiada, Ramiro ajuda turistas a se equilibrarem sobre a pedra estreita que interrompe a passagem e, quando a gente se d conta, est imerso no interior da caverna escura e com gua batendo no peito, em certos trechos da travessia. 
Eduardo Vessoni/UOL
Ramiro considerado o primeiro goiano a explorar cavernas em Gois
 
De tanta intimidade com a regio, ele teve at seu nome incorporado ao de um peixe raro descoberto pelo prprio guia, o ituglanis ramiroi (uma espcie endmica da Caverna So Bernardo, que encontrada em canais superiores alimentados por gua de infiltrao na rocha). 
 
Nas cavernas, para cada formao que merea ser vista, Ramiro lana a potente lanterna de LED que traz no bolso do macaco. ali que ele prepara uma das experincias mais marcantes de toda a visita.
 
O guia pede que meu acompanhante coloque a mo sobre meu ombro, antes que todas as luzes dos capacetes sejam apagadas. Ramiro se afasta e nos sugere ouvir o silncio e aproveitar o escuro total. Sem nos avisar, o guia se dirige at a parte posterior de uma das cortinas e d incio a um show de luzes com sua nica lanterna, iluminando, ele mesmo, todas aquelas formaes milenares.
 
E s naquele momento que a gente consegue entender o nome oficial daquela imensa sala de tetos altos: Salo das Cortinas. 
 


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